Palestra aborda a prática da cópia na moda brasileira

“A moda precisa da cópia para que um novo estilo seja criado”. Essa foi a conclusão que a professora Anamélia Fontana Valentim apresentou na palestra “Reprodutibilidade estética na moda na era da reprodutibilidade técnica”, realizada nesta quarta-feira (22), durante a programação da SNCT do Câmpus Araranguá.

SONY DSCA professora destacou que, assim como a arte, a popularização da moda também se dá pela reprodução. “Eu nunca vi o quadro da Monalisa, mas eu sei como ele é, porque já vi a reprodução dele, por meio de fotos, por exemplo. O mesmo acontece na moda. As pessoas pegam uma ideia pronta e trabalham em cima dela. Dessa forma, uma tendência ou um estilo é reproduzido até a massificação, o que faz com que um novo estilo surja”, explica.

Outro ponto abordado na palestra é que, através da cópia, um produto pode até ser melhorado. “A cópia não deve ser vista como algo negativo. A moda brasileira aprendeu e cresceu com essa prática. Ela faz parte do processo de mudança na moda como um todo”, afirma Anamélia.

Para Malu Huff, aluna do último módulo do curso técnico de Produção de Moda do Câmpus Araranguá, a palestra foi bem técnica e complementou o conteúdo já estudado em sala de aula. “A cópia permite que um maior número de pessoas conheça o original e se acostume com ele. Isso é muito bom porque, quando não conhecemos algo, a tendência é rejeitarmos”, disse.

Fibra de banana vira acessório de moda

Quem disse que os projetos terminam depois que os estudantes se formam? Três ex-alunas do Campus Jaraguá do Sul estão mostrando que uma ideia criada durante o curso pode dar certo e perdurar mesmo após a formatura.

Jackeline Rode, Carmen Hreczuck e Nayla Ramos, recém-formadas no curso técnico em Produção e Design de Moda, desenvolveram o projeto Nanica Chick, pelo qual fabricam bijuterias e outros acessórios usando a fibra de banana como matéria-prima. A ideia deu tão certo que a Nanica Chick tornou-se a primeira empresa incubada do campus.

O foco da empresa tem tudo a ver com um dos temas da SNCT que é a sustentabilidade. Carmen explica que a matéria-prima usada na fabricação das pulseiras, colares, anéis e outros acessórios de moda vem do pseudocaule da bananeira, resíduo abundante na região Norte de Santa Catarina, onde está a maior produção estadual da fruta. “É um processo inovador no estado”, conta.

O convite para expor o projeto na semana de Brasília foi recebido com muita felicidade pelas alunas. “Estamos vendo que a empresa pode dar certo e temos recebido muito apoio. O fato de estarmos aqui é um exemplo do apoio que o IFSC nos deu e continua dando”, ressalta Carmen.

Cada ex-aluna possui uma função na empresa. Jackeline cuida da parte administrativo-financeira, Nayla é responsável pela criação e produção e Carmen fica com a área comercial e de marketing. Nayla conta que a intenção do grupo é continuar se aperfeiçoando e ampliar a produção. “Estamos trabalhando em protótipos de bolsas, cintos e sapatos feitos com a fibra da banana”, diz.

Quem quiser conhecer o trabalho da Nanica Chick pode ir ao Campus Jaraguá do Sul onde a empresa está incubada. Em breve, as sócias vão lançar uma página no Facebook para facilitar o acesso das pessoas e permitir a compra das peças. “Já comercializamos nossas criações, mas por enquanto todo o dinheiro é investido na própria empresa”, conta Jackline.

E a mistura de sustentabilidade e criatividade chama a atenção mesmo. As peças da nova marca catarinense estão fazendo sucesso na SNCT de Brasília. Tão logo os acessórios foram expostos, diversos visitantes pararam no estande do IFSC para conhecer o trabalho.